Juliana Luna

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Lição número Zero!

Aprender a escutar foi uma lição comum de todos os professores que conheci na India quando vivi naquele país, freiando as necessidades ansiosas do intelecto por respostas, conceitos e sua necessidade de analisar, investigar, entender o por que de tudo. Durante essa jornada, dei-me conta de que naquele país existem basicamente dois tipos de mestres:

Os que dizem o que as pessoas querem ouvir e os que dizem o que as pessoas precisam ouvir.

Um deste mestres é Swami Dharmananda do Ved Niketan Ashram em Rishikesh que afirma categoricamente:

-"Se a sua kundalini está muito alta, eu vou baixá-la e se os seus chakras estão muito abertos eu vou fechá-los."

"Guarde todas as suas perguntas, elas serão todas respondidas... O que você não entende hoje entenderá em 10 anos, o que você não entenderá em 10 anos, entenderá em 20 anos..." afirma Swami Dharmananda. Ele envia um recado aos que querem tornar-se professores de yoga:-Abra seu coração, quando você abre, as pessoas virão até você.

"Nossa sociedade ocidental moderna é baseada no ego, enquanto que yoga é a transcendência do ego", afirma Rajif Chanchani, sênior professor do método Iyengar. Durante seu curso intensivo envia outro recado aos aspirantes a professores de yoga :

"-Você quer ensinar yoga? Primeiro concerte a sua vida, sua vida está um caos e você querem ensinar aos outros... você quer ensinar yoga? Melhore a sua prática: se a sua prática é boa, você consegue ensinar. Se você não consegue praticar, como vai fazer com que os outros pratiquem?"

Rudra Devi, outro professor do método Iyengar em Rishkesh afirma:

"-Intelectuais, sejam felizes no seu mundo! O Yogui, o cozinheiro e o músico são a mesma coisa!"

Ao pedir a um aluno para remover um bloco de anotações do chão durante uma de suas aula, Rudra afirmou:

"-Remova o papel, ou melhor, jogue-o no Ganges, disse ao apontar para o Rio sagrado nas bordas do qual sua escola está localizada: Swami Vivekananda dizia para jogar os livros no Ganges e ir nadar nele durante um ano."

Para Rudra "Yoga é intelecto e devoção juntos, sem os dois juntos não é yoga." E esse segundo pilar sem o qual a casa não pode ser construída, a devoção, a tradição, o respeito e a desidentificação com o ego são difíceis para a mente ocidental de assimilar.

"Hoje, os professores estão correndo atrás dos alunos; são os alunos que devem correr atrás dos professores, o professor é o planeta e os alunos são os satélites, que devem gravitar em torno do ‘planeta’." Afirma Rudra.

O mesmo nunca cansava de afirmar: "Yoga não é um objeto de conhecimento. É a ciência da vida e da natureza que diz ao ser humano: " volte para a natureza, coma com moderação, durma com moderação, trabalhe com moderação".

E a última frase que me disse, enquanto eu sentava aos seus pés, ouvindo e admirando a corrente infalível do Ganges passando como toda a coisa na vida foi:

"-Na vida, na natureza, existem três tipos de forças : uma é movimento , outra é inércia e a terceira é o equilíbrio entre as duas. O ser humano que consegue "harmonizar" essas três forças tem o reino dos céus na terra".